quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Amor!

Ele estava muito contente, fora um bom dia. Havia ido ao cartório para dar entrada nos papéis do casamento, dera tudo certo. Entregou alguns trabalhos e recebeu. Voltava para casa feliz. Ao chegar beija sua avó, e diz que vai para o seu quarto, que era uma casinha que havia nos fundos. Chegando lá começa a se preparar para fumar. Sua avó sabia o que ele pretendia e se entristecia muito com o vicio do neto. Sua mãe ainda estava no trabalho, só chegaria por volta da meia-noite.
Ele fuma... fuma... e torna a fumar, já é tarde quando a droga acaba. Ele teve que parar por algum tempo, pois a noiva e a avó imploravam na janela. –Para, pelo amor de Deus, para meu amor, o que vai ser de nossa vida. Ele implorava para que Elas descessem e o deixassem terminar. Elas desistem e descem, a noiva pega seu filho e vai para casa. Ele continuou.
Agora estava descendo, chama a avó para que abrisse a porta, ele queria jantar e trocar de roupa, a que estava fedia a pedra. A avó que tantas vezes antes havia aberto a porta se nega a fazê-lo daquela vez, ela sente que não deve, ela sente algo que nunca sentiu antes, não nessa situação, medo, medo de seu neto mais carinhoso, entrega-lhe a roupa, a comida ele prefere nem pegar, e sobe novamente.
Preocupada ela resolve pegar algo no varal apenas para ver como ele estava, ao chegar lá em cima vê um vulto encostado na porta, por causa da escuridão não distingue quem é, supõe que seja o neto e pergunta o que ele estava fazendo ali, não há resposta. Ela sente a espinha gelar, e desce correndo trancando-se em casa, pensa em ligar para a filha, mas esta não poderia deixar o trabalho para ir até lá e faltava pouco tempo para ela chegar. A mãe chega e a avó relata a situação, a mãe apreensiva, e que tanto já havia sofrido, sobe e vai ver se há algum estranho no quintal, não vê ninguém, chega à porta da casa e acende a luz.
Ele também sofria, sofria muito, não por ele mesmo, mas pelas pessoas que amava, sabia o mal que estava fazendo a elas, a sua mãe que tanto procurara ajudá-lo, o havia internado, ido atrás dele pelas ruas, sua avó que sofria e orava sem parar pelo neto, sua futura esposa que sempre acreditara que ele fosse capaz de vencer o vicio, tudo isso lhe doía na alma mais do que qualquer coisa, ainda assim a droga era cruel, o vicio pedia mais. Como ele poderia vencer, como acabar com toda aquela dor que ele trazia para elas... Elas, que ele tanto amava.
Ao acender a luz a mãe solta um grito, um grito de dor e lamuria, desce correndo para a outra casa, a avó vem ao seu encontro querendo saber o que houvera, a mãe só consegue dizer que seu amado filho estava morto, havia se enforcado. Nos dias seguintes apenas se perguntavam por que ele havia feito aquilo sem compreender que ele o fizera por elas. Sim, por amor a elas ele não suportava vê-las sofrendo e não conseguia se livrar do vicio, essa foi a maneira que ele encontrou para dizer uma ultima vez: Eu amo vocês! Sejam felizes.

23 comentários:

  1. O vicio é como uma flecha: facilmente se introduz,,mas dificilmente se extrai!! Muitas familias tem sido destruída e os jovens perdido suas vidas. Uma boa noite

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  2. Olá Irismar, obrigado pelo seu comentário. A analogia com a flecha é excelente, é muito triste o cenário que temos hoje com o crack se propagando como uma epidemia. Mas a chave é o amor, em familias no qual ele sempre está presente o vicio normalmente encontra as portas fechadas, nas que não, ele adentra com facilidade, cabe a nós oferecer amor e carinho para que estes jovens possam se curar desta doença.

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  3. Oi Ademar,
    Que bom que nos preocupamos com o assunto.
    Obrigada pelo seu comentário no Travessia.
    Grande abraço.
    Beth Muniz

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  4. Olá Ademar, o vício é isso, só traz dor, solidão e morte. E não é só o crack que vicia, a outras coisas que viciam também e que levam muitos para o fundo do poço. Gostei dos eu cantinho. Paz!

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  5. Beth, Rô,eu agradeço muito os comentários. Neste espaço eu viso falar do processo de degradação da alma do viciado entre o momento do vicio e o seu fim, que infelizmente não costuma ser feliz embora haja casos de recuperação, e eu acredito na recuperação, sou exemplo disso, e nossa principal arma para que isso ocorra é o amor, recriminar, brigar, etc... não resolve é claro que temos que ser firmes, não nos deixar manipular, mas temos que amar e deixar que a pessoa saiba que a amamos. voc

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  6. ola muito bom seu blog ja estou te seguindo
    se poder me segue tamben
    http://cleberbinhocomportamentos.blogspot.com/
    abraços

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  7. Obrigado Cleber, fico feliz que tenha gostado. Já estou lá, gostei também.

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  8. Saudações!
    Amigo Ademar:
    A sua crônica é um fiel retrato do trágico acontecimento que se dá em milhares de lares pelo mundo afora. Realmente uma situação, triste e lamentável. Parabenizo-o pela magnífica narrativa.
    Parabéns pelo Post!
    abraços,
    LISON.

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  9. Obrigado Lison, pelo comentário e elogio, mas ainda tenho muito que aprender. Infelizmente a realidade é triste e este droga tem se tornado verdadeiramente uma epidemia. A única forma de evita-la e resgatar os que caíram sobre o seu poder, sim porque ela é poderosa, é através do amor que é ainda mais poderoso.
    Abraço,

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  10. Parabéns pela iniciativa, Ademar. Vale uma indicação para um conhecido que passa por isso.

    Estou seguindo suas postagens. Depois dá uma passadinha no meu:

    http://corroborado.blogspot.com

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  11. Olá F. Sales, obrigado. Nunca esqueça a principal ferramenta para a libertação destas pessoas é o amor, o que não significa ser mole, significa estar perto para ouvi-la e lhe apoiar a cada passo desta dificil caminhada de volta.
    UM abraço,

    Passei pelo blog, tem comentário meu lá.

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  12. Lidar com o vício, seja lá qual for, nunca é fácil. O vício agrega-se mesmo àquela ferida exposta, dolorida. Pega-nos pelo mais sensível, frágil, em nossa alma. Se apresenta com escudo e espada. Como única forma de sobreviver. Até que mostra sua verdadeira face: então é grilhão.

    Seu conto é excelente, Ademar. Conheço umas boas pessoas que caminham a passos largos para finais semelhante ao do teu personagem. Conheço boas famílias que, hoje, sequer se definem mais como famílias. Foram estraçalhadas, alquebradas. É uma luta entre desiguais. Há que se inventar algo maior ainda que o amor para equilibrar essa guerra.

    Abraços

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  13. Olá José, agradeço sua visita e comentário. Conviver com o vicio é terrivel, para o viciado que procura estar sempre entorpecido para não enfrentar sua realidade, para a familia que tem que assistir a pessoa amada se destruindo passo a passo, e, para a sociedade que perde um menbro muitas vezes querido. Mas a maneira de lidar com o problema é amar, não um amor como este relatado no conto, que se entrega, e sim um amor que perseverá e busca salvar aquele que sofre desde grande mal.

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  14. Li, com apreensão, esta história. Fiquei com medo que ele pudesse fazer alguma coisa com a avó.

    Conheci um homem feito, coisa de 55 anos ou mais, usuário desta droga. Eu ficava abismada com sua dependência. Uma pessoa com todas as oportunidades para viver livremente, se agarrar aquilo! Mas ele não comia. Bebia leite sem parar. Tinha picos de alegria e tristeza profunda há cada instante. Ligava a televisão só para ver imagens. Suas atitudes eram sempre contrárias ao que dizia querer.

    Notícias dele? Dizia querer uma família, porém, vendeu tudo o que tinha e sozinho, perdeu-se no mundo...

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  15. Oi Kitmell, eu conheci essa pessoa e acredito do fundo do coração que ele jamais faria isso, ele as amava demais pena que foi fraco, mas cada um sabe de seu próprio sofrimento. Se você não se opor eu gostaria de usar o seu relato para uma história.
    Muitos abraços e agradecimentos pela visitas e comentários.

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  16. Olá Ademar querido!
    Que história triste... e pensar que relata a angústia de muitos viciados! Na verdade, muitos já morreram internamente e sepultaram as suas esperanças ao longo do caminho sem fim...e, para os fracos, sem volta!
    O suicídio para ele, pode ter simbolizado o amor pelos entes queridos, mas ainda ficará a pergunta aos que o amavam e ficaram: "será que fizemos mesmo tudo o que estava ao nosso alcance para resgatá-lo desse inferno?". E não deve ser fácil conviver com essa dúvida...
    Não há dúvida que o vício, na maior parte do tempo, domina e faz com que a razão fique embaralhada, confusa e perdida; entretanto, tem que haver um resíduo de esperança, de fé, de crença em si mesmo... E muitas vezes só se chega a essa consciência quando o verdadeiro amor supera as incertezas. Amar a si mesmo se torna um sentimento cada vez mais distante e resgatar isso, depende da ajuda e determinação dos entes queridos...com muito amor, carinho e paciência! Eu sei o que é isso! Tive dependência (não de drogas, mas vício é vício e causa danos, não importa a sua origem!)e só consegui emergir desse poço escuro e profundo, quando reconheci em mim o amor, a capacidade de amar e a vontade de dar amor aos que me amavam...
    Pena que o rapaz da história não teve o mesmo tempo de consciência...
    Grande beijo, Ademar! Ótima história, apesar de dura e triste, mas que relata os tantos e tantos casos comuns a esse na vida dos viciados e de seus familiares.
    Jackie

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  17. Obrigado Jackie, fico muito feliz que tenha gostado e por sua participação comentando aqui.
    O amor e a perseverança são essenciais para desfrutarmos a vida em sua essencia e são as únicas e mais poderosas ferramentas para enfrentar esse mal que é o crack.
    Um abraço cheio de carinho pra ti,

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  18. Olá Ademar,

    Triste e verdadeira a história, relata bem a tristeza, desespero e dor que o vívio traz não só para os que o alimentam, como também para todos os que amam esta pessoa.
    Sei bem, pois como lhe disse, já tive uma pessoa querida dominada pelo vício e não foi nada fácil ajudá-la a superar isso, pois acabamos sofrendo junto, às vezes surge a raiva, a vontade de desistir por parte de ambos, mas felizmente minha história teve um final feliz e a pessoa se recuperou, mas isso não é possível até que ela mesma tenha consciência do mal que isso faz à sua vida e que se empenhe muito mesmo, pois não é uma trajetória fácil.
    Parabéns pela iniciativa de divulgar e alertar a todos sobre isso !
    Grande abraço !

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  19. Olá Sammy, muito obrigado pela visita e comentários. É um cenário pavoroso o aumento dos usuários desta droga, apenas com muito amor, paciência e perseverança ela pode ser vencida, e se possível um bom tratamento também ajuda, de preferencia um que se estenda a familia que fica tão traumatizada com aquela situação.
    Abraços calorosos,

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  20. Tenso, Ademar, muito tenso!
    Ainda bem que isso nunca aconteceu comigo! Quando houve problemas desse tipo, minha mãe sempre esteve lá para ajudar, independente do vício que fosse, seja cigarro, drogas, bebidas... enfim... acho que amor de mãe é, realmente, incondicional! Tu pode ser o pior ser da face da terra, mas tua mãe continua te amando.

    Ademais, a atitude dele foi bem egoísta, pelo menos eu achei.
    Abraços

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  21. Ademar, que triste. Quanta coisa bonita, quanta história especial esse cara poderia ter realizado, quanta gente feliz ele poderia ter feito... Mas nada disso é possível agora.
    Bjs
    Telma

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  22. Nossa realmente muito triste.
    Dói ver como as drogas podem destruir a vida de uma pessoa, e destruindo a vida da pessoa detroi a vida dos que estão a sua volta.
    Um forte abraço.

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  23. Oi sou um viciado passivo de vez em guando paro de vez em guando volto a pegar guando penso que deixei lá estou eu caído de novo na desgraça já entrei em igrejas pra ser crente passei alguns meses e não consegui nada será que estou perdido ?

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