Olá meus amigos, primeiramente quero agradecer a vocês, o Contos do Crack, com apenas um mês de vida, tem sido um sucesso. E agora ele tem vida própria e pediu para ser mais, é isso mesmo!
Sua verdadeira natureza se manifestou! É um blog de cunho social! Com a missão de combater os males da droga. Com esse intuito ele será ampliado tornando-se não apenas um blog de conscientização como tem sido até agora.
Esse Blog, metido a gente grande, deseja fazer mais. Ele decidiu que será um blog de apoio, iremos não somente alertar para o mal do crack, mas procurar ajudar o usuário a abandonar este vício, ajudar sua família a entender o que se passa e aconselhar a ambos como agir, onde encontrar ajuda, oferecer palavras de apoio e estimulo no duro caminho de volta.
Para isso nossa querida amiga do Eu e Meu Medo, Andréa Ávila, juntou-se ao Contos do Crack, vêm somar seus talentos para o desenvolvimento desta nova e ambiciosa meta. Nós já estamos trabalhando para esse fim e dentro em breve, coisa de dois meses, este será um blog completamente diferente, os contos continuarão sempre, mas estaremos oferecendo muito mais.
O Contos do Crack foi presenteado com mais dois lindos selos, aqui estão eles:
Este foi presente da querida amiga Beth Muniz dona de um espaço muito especial em nossos corações, e outro neste mundo virtual, o Blog Travessia.
E este segundo nos foi presenteado pela Lia do Blog Cute Gifts, tenho vontade de montar um novo blog apenas para encher das coisas lindas que encontramos em seu blog.
Nosso imenso carinho para as duas!!!
Porém, o nosso maior tesouro está nos seguidores, o fato deles colocarem seus rostos, seus nomes aqui, é o maior reconhecimento que podemos receber.
E agora o conto:
Abstinência
Ela chega com a noite, forte, imperiosa. Quer se impor. É à vontade. A inquietação começa, as pernas não param. Mexem-se como que por si só, cada vez mais rápido. Ele se levanta. Começa a andar pelo quintal. Quando percebe já deu dezenas de voltas em torno da casa, mas não foi para a rua. Sente enjôo. Corre para o banheiro, vai vomitar, o vomito não vem.
A diarréia tem inicio. Nada acontece. Volta para o quintal. Seu corpo reclama. Ele manda parar. Não adianta. Passa as mãos pela testa, de novo, e de novo. Não adianta. O corpo deseja, ele deseja! Não!!! Grita para seu interior. Vai para o quarto, se deita e rola, rola de um lado para o outro, seu corpo geme em agonia, as lagrimas saem de seus olhos. Ele sofre!
A família a tudo assiste. Sabem que não podem fazer nada além de estar lá. Ele continua sofrendo, levanta e senta-se. A dor não se vai, ele se encolhe, e estica, se encolhe e estica, e ela ainda está lá. Seca o rosto. As lágrimas voltam. Está tremendo. A agitação aumenta. Ele não se controla. Levanta. Anda de um lado para o outro, do outro para o um.
Quanto mais a lua ganha altura, pior fica. A tremedeira aumenta. A ânsia já não dá descanso. Suas pernas e mãos agitam-se como nunca. Tenta fixar seus pensamentos em qualquer coisa. Não consegue. Sente o cheiro. Sente o gosto. Não sente o efeito.
A noite começa a ir-se. Ele esfrega os cabelos quase os arrancando, seu corpo está exausto. Não consegue dormir. Sua mente está nela. Ela não está em sua mente. Começa a bater nos móveis. Sente fúria. Ódio. A família não reclama, esta feliz, ele ainda não ganhou a rua.
Não anda. Corre! Em direção ao que deseja, tosse, vomita, treme apenas com a expectativa de sentir aquele sabor. Cada vez mais rápido, e mais rápido e ainda mais rápido. Todo o resto não importa. Chega. Servem-lhe o que vai buscar. Vê uma lata na rua, a apanha. Prepara o cachimbo, carinhosamente, com cuidado, mas com pressa. A cinza é colocada. Sobre ela um farto pedaço, se esforça para controlar a tremedeira. Coloca a lata na boca, acende o isqueiro e traga com toda a força de seu imenso desejo...
Então acorda! Estava em casa. Era dia. Ainda exausto, mas bem. Aquela batalha fora ganha. Porém, a lua logo chegaria novamente e a guerra continuaria, batalha por batalha, noite após noite.
