Ele dixavou cuidadosamente a maconha, a deixou quase como pó. Cortou o papel, enrolou, abriu e colocou maconha nele. Com a tampa de uma caneta a espalhou por igual. Então pegou o saquinho, o abriu com pressa. La estava ela, a pedra. Começou a quebrar a pedra de crack em pequenos farelos e a espalhou sobre a maconha, parou um pouco antes do final. –Na pontinha é desperdício. Falou para si mesmo. E ele não queria desperdiçar. Enrolou tal qual um baseado comum. Mas não era um baseado comum, era um mesclado ou melado.
Acendeu um cigarro. Precisava do cigarro. Pois com ele manteria o melado aceso, o crack apagava a maconha quando derretida ela passa de sólido a liquido e então a vapor, este que é tragado. Então o cigarro tinha que estar lá e a cada pega eram encostadas suas brasas, ponta a ponta. Ainda assim, o lado que continha a maconha cismava em queimar mais rápido. Ele pegava e passava saliva na maconha com o dedo para evitar isso, não podia desperdiçar!
A nóia já estava presente muito antes dele terminar o melado. Pensou que assim se manteria longe da pedra, mas só pensava nela. Correu a pegar o cachimbo, e o que dela restou, queimou.
A nóia só fez crescer. Ele queria mais. A batalha teve inicio! O que faria? Iria para a rua a buscar mais? Ligaria pedindo que lhe trouxessem mesmo sendo mais caro? Enquanto tentava pensar, ia tateando tudo a sua volta, verificando todos os vãos possíveis sempre a procura de algo que não existia.
Pegou a maconha e fez um baseadinho. Fumou. Se acalmou. Foi feliz, podia ter morrido com tanta mistura! Aos poucos a fissura da procura se foi. Sabia que não podia dirigir. Ligou... O numero tocou, tocou, tocou... Ninguém atendeu.
Por essa noite se salvou. A nóia não permitia que saí-se. O serviço de entrega estava fora do ar. O destino fora bom com ele. Cabia a ele agora ser bom com seu destino. Colocar em sua mente que a substituição não adiantava, o caminho de sua libertação era se afastar, não por estar na nóia, não por um telefone apenas tocar e sim... por ele se amar.



